A cultura de um homem é aquilo que ele colhe. O resultado da colheita vem do que ele cultiva. Todo dia, semeamos pensamentos, idéias, conceitos, teorias, certezas. Quem planta banana nunca vai colher laranjas. As sementes, todavia, virão sempre dos mesmos frutos, serão sempre as mesmas.
Toda vez que sou abordado por alguém que me pede dinheiro, me questiono por instintivamente dar a mesma resposta – “desculpe, não tenho”, mesmo sabendo que meu bolso está cheio de moedas que se perderão na imensidão das gavetas, dos bolsos e dos cantos de móveis da minha casa, até se perderem para sempre nas pequenas e inúteis coisas em que serão trocadas, que certamente não são tão necessárias. Sempre me arrependo de tomar a mesma atitude, mesmo com o pensamento, já de raízes fortes e bem firmes, de que toda pessoa que pede dinheiro é alguém que realmente não precisa dele, ou não o usará em algo realmente preciso.
Talvez a minha certeza sobre o outro seja apenas um reflexo do que eu mesmo farei, de mim mesmo. A única certeza é que ela não existe, que é apenas um referencial pra lembrar que a dúvida sempre vai existir. Entre o certo e a dúvida existem muitas outras coisas. O mundo não é feito só de laranjas ou de bananas.