Pare de presumir as coisas. Se não sabe, e realmente te interessa, vá saber. Senão, não invente. Não serve pra nada.
Te falo isso com propriedade. Sou um curioso nato, do grupo dos muito curiosos. Não sei se é sorte ou azar, mas eu até gosto de ser assim. Gosto de ter o poder de contestar as coisas até que elas façam algum sentido nos meus sentidos.
Se você me contasse, por exemplo, que um amigo seu foi roubado, eu provavelmente nem precisaria de você pra me dizer como foi. Minha lógica-delirante preencheria todos os espaços em branco com fatos que certamente seriam os mais lógicos. Lógica minha, óbvio. E essa seria a minha verdade.
Eu me livrei disso? Claro que não totalmente. É difícil se livrar de antigos hábitos, mas essa coisa se dissipou. Se o assunto me despertar vontade de buscar mais, o farei. Pra todas as outras opções, tanto faz.
Aprender a lidar com isso foi coisa que aprendi na faculdade da Vida – a melhor delas (falarei dela outro dia). Uma das matérias é a arte de dizer “não sei”. Não há nada mais libertador e leve do que responder “não faço ideia” pra alguém que, ávido, vem pergunta se sei de algo que jamais ouvi falar. Sou capaz de permanecer mudo enquanto vejo um outro curioso responder sozinho as perguntas que inventa. É bem divertido ver isso acontecer.
Presumir as coisas é uma merda, por três razões: É uma inútil, dispendioso e desgastante.
Inútil porque inventar uma história não vai responder sua pergunta. Ao menos, não com a verdade. Será apenas sua imaginação em ação.
Também é dispendioso, dependendo do seu nível de narrativa. Perder um tempo detalhando seu próprio universo imaginário que rodeia suas respostas fantasiosas só lhe farão estimular sua mente inventiva. Isso é ótimo, se você é um artista ou escritor. Se você mente e enriquece sua mentira, continua não sendo verdade.
Além de tudo, é desgastante. Imagine colocar frente a frente dois peritos tentando desvendar um crime de assassinato. Só um problema: nenhum deles estava na cena do crime. Uma guerra de verdades que não existem.
Continuarei sendo curioso. Continuo querendo tentar entender porque algumas coisas na vida se desenrolam tais como as vejo. Se você me perguntar o que acho, já sabe qual vai ser a resposta.